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Clara Choveaux interpreta Tânia em Verdades Secretas 2.

A atriz que é franco-brasileira bateu um papo incrível com nossa redação sobre sua história e sobre os projetos atuais em que está envolvida na Globo. A atriz que voltou ao Brasil depois de oito anos morando em Paris, conta que no Rio de Janeiro é onde se sente realmente em casa, e que volta com frequência à Paris para visitar família e amigos.

Clara comenta ainda que ainda tem projetos na França, Inglaterra e Portugal e que queria muito fazer arte no Brasil e havia também um grande desejo em ampliar meu campo de atuação para além do cinema, ou seja, fazer teatro e televisão.


"Foi muito importante iniciar um novo ciclo cheio de desafios. Cheguei e logo conheci Paula Gaitan com quem fiz três longas-metragens e desenvolvi uma linda parceria de trabalho. E tive encontros aqui com cineastas incríves como Tiago Mata Machado, Ricardo Alves Jr., Rodrigo Oliveira e Hector Babenco. "

A atriz entra em cartaz este ano em alguns trabalhos. Dentre eles:

“Doutor Gama”, dirigido por Jefferson De, o filme “Rodantes”, dirigido por Leandro HBL, e no filme do Rodrigo Oliveira, “Os Primeiros Soldados”.

Além dos papéis nas novelas "Verdades Secretas 2" de Walcyr Carrasco e "Um lugar ao sol" de Lícia Manzo.


Quando você soube que queria atuar? Consegue recordar e nos contar um pouco de como foi este início no anseio pela dramaturgia?

Meu primeiro impulso foi a dança. Morava em Curitiba, tinha 7 anos e me lembro do teste que fiz para integrar a escola ballet clássico do teatro Guaíra. Lembro-me também da minha primeira experiência em uma sala de cinema, dos créditos passando no final do filme e de imaginar meu nome ali. Foi como se fosse um chamado! O desejo de ser artista, intérprete, me habita desde que eu me entendo por gente. Depois só aumentou… Quando morei em São Paulo, na década de 90, vi Fernanda Torres e Fernanda Montenegro na peça “The flash and the crash days” e entendi que eu queria aquela vida, que eu queria estar no palco. É um desejo muito forte e que me mobiliza inteiramente. Quando estou trabalhando, tudo passa a fazer sentido.


Em sua história há momentos marcantes como a vez em que concorreu ao prêmio Cannes de 2003. Qual o papel que gerou esta indicação? E como foi concorrer com Nicole Kidman pelo prêmio?

Foi com o filme “Tiresia”, dirigido por Bertrand Bonello, onde interpreto uma transexual. Foi inesquecível essa experiência. Nicole Kidman estava concorrendo com “Dogville”, do Lars Von Trier. E, neste ano, “Carandiru”, do Hector Babenco, com quem eu tive a sorte de trabalhar mais tarde, também estava concorrendo. É muito gratificante quando o o nosso trabalho é visto pelo mundo inteiro. Foi uma experiência linda.




Você está escalada para atuar na minissérie Verdades Secretas 2, com previsão de estreia agora para o segundo semestre de 2021. Essa minissérie, que é muito aguardada pelo público é a continuação de um enorme sucesso de audiência da rede Globo. Quais as suas expectativas para a personagem Tânia, que você interpreta? E pode nos contar um pouquinho sobre as gravações?

Estou adorando fazer a Tânia! É uma linda experiência que estou tendo como atriz. E isso tem muito a ver com a super equipe que torna tudo isso possível. Temos o Walcyr Carrasco, um autor genial, e a direção primorosa e revolucionária da Amora Mautner que já garantem uma qualidade altíssima na execução da obra. Está sendo incrível contracenar com os atores, principalmente os que já estavam na primeira temporada. As equipes de criação, caracterização e figurino estão muito afiadas e super antenadas nas tendências da moda contemporânea.

O visual é um escândalo e a fotografia é incrível. Eu só tenho a agradecer ao Gui Gobbi, produtor de elenco, que levou meu nome para este time de titãs. Muito obrigada, Gui!!!


Sabemos que a trama Verdades Secretas tem em seu enredo muitas cenas polêmicas, de sexo, drogas e outros contextos impactantes. Sua personagem esteve em alguma cena destas? Existe algum receio em fazer estas cenas?

Ainda não. Estamos no meio das gravações. Mas, se for o caso, não tenho problemas com cenas fortes e impactantes. Tenho muito experiência com elas.


O que podemos esperar da personagem Tânia, em Verdades Secretas 2? Pode nos antecipar algum pequeno spoiler do seu personagem?

Graças à Tânia, voltei a fazer ballet e a ouvir música alta. Ela é feliz e bem resolvida. É uma personagem cheia de vida, curiosa, com sagacidade e maturidade. Ela é sexy, da noite, bem resolvida, ama dançar, festejar e trabalhar. A Tânia me encheu de amor. A considero o sol da meia noite!


Ainda em 2021, você foi elencada em outra trama da rede Globo, que também é muito aguardada, a novela Um lugar ao sol, pode nos dar um pequeno spoiler de sua personagem Blanca?

Faço a Blanca, uma chefe de cozinha e dona de um restaurante sofisticado com pratos da nouvelle cuisine française. Realizei um grande sonho que foi contracenar com Marieta Severo uma das maiores atrizes do mundo. Fiquei muito emocionada e ela foi de uma generosidade ímpar. Poder vê-la trabalhando foi impactante porque ela estava atenta a todos os detalhes. Eu já a admirava demais e fiquei completamente apaixonada. A Marieta é um exemplo de ética e comprometimento com o nosso ofício.


Sabemos, e não podemos deixar de falar, que gravar em plena pandemia representa um esforço redobrado aos artistas, e que deve aumentar o desgaste físico e emocional durante as gravações. Como foi para você estar em duas tramas com gravações constantes, com todo este cenário atual da COVID 19?

O cuidado é enorme e nos testamos a cada 48 horas para garantir que todos estejam aptos ao trabalho. Na televisão o protocolo é enorme, fazemos tudo usando máscaras. Tudo é higienizado o tempo todo.


Daqui a alguns anos, como será olhar para trás e relembrar ter atuado, gravado, e passado por um momento mundial tão marcante como a pandemia que estamos vivendo hoje? Você consegue imaginar este futuro e nos contar?

É um momento muito difícil para tantos e, principalmente, para a cultura do nosso país. Queria poder imaginar a travessia deste momento, olhar para trás e sentir que aprendemos com este momento tão difícil. Queria, no futuro, recuperar a liberdade de ir e vir e dar muito valor a ela, queria poder abraçar meus amigos de novo...


Como foram as gravações deste papel? As gravações das duas tramas foram ao mesmo tempo? [Verdades secretas e Um lugar ao sol] E se sim, houve alguma dificuldade em desempenhar dois papéis distintos ao mesmo tempo? Pode nos contar um pouco mais sobre esta experiência?

Não tive problemas porque gravei a novela “Um Lugar ao Sol” em fevereiro. “Verdades Secretas” começou a ser gravada no fim de maio.


Em 2014 você foi apresentadora do programa Quintal do Jazz, na Multishow, como foi esta experiência de ser apresentadora de um programa? Por que saiu?

Adorei a experiência. Foi incrível e me diverti demais. Eu estava morando em Londres na época. Não saí do programa porque a ideia era ter apresentadores itinerantes mesmo. Se eu pudesse, teria feito todos eles! (Risos) Eu adoro jazz e acho o programa imperdível!!!


Em uma vastíssima trajetória como a sua, você consegue apontar algum papel que tenha marcado mais? Seja pelo positivo ou pela dificuldade de interpretar?

Acho que em “Tiresia” o desafio foi muito grande porque tive que me expor de uma forma muito íntima e delicada. Eu estava começando profissionalmente e a responsabilidade era grande. Posso dizer que o aprendizado foi muito intenso e condensado. Depois percebi que cada personagem tem seu desafio e sua beleza. É uma sensação do desconhecido que exige coragem para entrar no “labirinto”. São dias, semanas, meses de dedicação e trabalho para nos prepararmos. Mesmo assim, atuar é misterioso. É muito difícil descrever tudo que vivemos no palco, no set, no estúdio... Pra mim, é muita adrenalina.


Já foi vacinada? [pergunta clichê risos] E se não, qual a expectativa?

Não acho nada clichê. É super atual! E sim, já fui vacinada com a primeira dose e fiquei super emocionada! A vacina nos dá a esperança de passarmos por este momento com mais saúde e acreditando, ainda mais, na ciência. Desejo vacina pra todos. E viva o SUS, sempre!


Teve algum papel que você olha para trás e que gostaria de refazer do zero com uma perspectiva de atuação totalmente diferente da que foi adotada?

Acho que não. O erro é importante e também faz a gente amadurecer. Não existe carreira longa e sólida só com acertos e sem tentativas frustadas. O trabalho sempre foi minha prioridade na vida, mas tento pensar no presente: o verbo é fazer. Confio sempre na direção e com quem estou contracenando. Acho que é assim: a gente se prepara muito e faz tudo o que pode pela personagem para ter um acervo de possibilidades e um vasto repertório. Às vezes, um pequenino papel pode ser muito desafiador. Não tem nada que eu goste mais de fazer na vida. Com Celina Sodré, que é uma grande estudiosa de Grotowski, aprendi este maravilhoso parodoxo: o ator tem que ter precisão e espontaneidade tendo a coragem de praticar a auto-exposição impiedosa.


Para finalizar, pode nos contar um pouco mais do início de sua carreira? Como foi a chegada na França? A experiência de entrar neste mundo em outro país. Você já havia feito trabalhos antes de morar efetivamente da França?

Me mudei para França nos anos 2000 e logo conheci o Bertrand Bonello que me convidou para um pequeno papel no filme “O Pornógrafo”. Minha carreira começou ali, há 21 anos. Costumo dizer que estou completando a “maior idade” no meu ofício. Dois anos depois, em 2002, Bertrand me convidou para fazer teste para “Tiresia”, seu novo filme. Eu não sabia para quel papel seria. Depois de 6 meses de testes, o papel principal do filme era meu. Eu não acreditava que aquilo estava acontecendo. Foram mais de 5 meses de preparação e depois mais 3 de filmagem. Foi uma preparação intensa, me dediquei muito ao papel. Em 2003, o filme teve sua estreia mundial em Cannes, na seleção oficial. Fui indicada a melhor atriz e, desde de então, não parei mais de fazer cinema. Valeu muito a pena todo o esforço e dedicação.


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